
José Carlos Correia Martins, Sócio da Associação de Pára-Quedistas do Algarve Nº 251, nascido a 25/01/1952 e criado numa pequena aldeia piscatória do Barlavento algarvio, no concelho de Vila do Bispo.
Ingressei nas Tropas Pára-Quedistas no R.C.P. em Tancos a 29/01/1973, 1ª Inc., 4ª C.A. Depois de ter feito todo o percurso até chegar à tão desejada Boina Verde, fui colocado em Moçambique, no B.C.P. 32, 2º Pelotão, 2ª Companhia, com o Nº 601/73. Fiz várias operações no distrito de Tete e Mueda.
Eis a razão dos últimos também fazerem História: porque fui o último Pára-Quedista do B.C.P. 32 a ser ferido, numa difícil operação na picada do Sagal, onde sofremos várias emboscadas, como muitos camaradas ainda as recordam, aquando da evacuação da Companhia do Exército, do Sagal para Mueda.
O grupo de combate ao qual eu pertencia era comandado pelo Alferes Morgadinho e, se a memória não me falha, foi a sua primeira operação. O outro grupo era comandado pelo Alferes Sanches e a companhia comandada pelo Capitão Melo de Carvalho. Tínhamos como número de código Águia.
No dia 09/08/1974, depois de algumas horas de progressão, sofremos mais uma emboscada onde eu era o homem da frente e fui alvejado com um tiro no tórax, atingindo-me um pulmão e o fígado, mas graças à rápida e eficaz evacuação feita ainda debaixo de fogo piloto de Héli de nome Abdul, e a intervenção cirúrgica a que fui submetido, feita pelo professor Linhares Furtado e a sua equipa da qual não sei os nomes, sem este espírito de grupo e camaradagem, não estaria aqui a contar a História do Último.
Assim aqui vai o meu agradecimento muito especial a estes elementos, e a todos os camaradas de armas que muito me ajudaram das mais diversas formas, uma das quais, muito especial, foi darem-me o sangue necessário para me salvarem a vida.
O meu obrigado a todos, que nunca foram e nem serão esquecidos.
1º Cabo Pára-Quedista 601/73
José Martins
Comentários
Pertenci à companhia C.Caç 4545 sediada no Sagal.Fui,com o meu grupo de combate, ao vosso encontro para vos trazer até ao aquartelamento. Lembro-me do que se passou nesse dia e nos três dias de retorno a Moeda. Foram dias onde houve de tudo e "mais umas botas".Estimo saber que se safou áquela bagunça; eu, felizmente, também.
Saudações.
Ex Alf.Mel. Ranger
Ant. Mor. Martins
antmormar@gmail.com